Brasília,
22/11/2005 - Construir um marco
legal para a cooperação técnica, instituir
um comitê gestor para o setor, promover a disseminação
em rede de informações entre gestores de projetos,
criar a carreira de gestor de cooperação técnica
internacional e desvincular os recursos de fontes externas da
execução orçamentária nacional, foram
os principais pontos de convergência entre os grupos de
trabalho reunidos no Fórum do Ministério do Planejamento
“Desafios à Gestão na Cooperação Internacional”.
O Fórum encerra nesta terça-feira no Palácio
do Itamaraty.

Foto: Fabiano
Neves/Divulgação
Ao apresentar os grupos, Victor Branco
de Holanda, coordenador da Unidade de Controle de Programas do
Ministério do Planejamento, disse que a discussão
permanente deve ser um norte para as unidades executoras de projetos.
Para ele, os debates no fórum devem ser assimilados como
passo inicial de um processo pelo fortalecimento da cooperação
internacional no Brasil. “Esse espaço de discussão
é importante, mas não se esgota em si mesmo e deve
ter continuidade”, recomendou. Nesse sentido, elogiou a proposta
de criação de uma rede temática ou comunidade
prática com o objetivo de mapear problemas e compartilhar
soluções.
Dentre as falhas apontadas pelos
grupos uma delas diz respeito à existência de projetos
repetitivos, concorrentes entre si, e de projetos destoantes do
plano de governo. Foi sugerido por um dos grupos que a Comissão
de Financiamentos Externos (Cofiex), passe a considerar no exame
dos projetos os objetivos estratégicos do governo.
No mapeamento de problemas também
foi sugerido empenho maior na capacitação de equipes
e diminuição da utilização de consultorias,
considerada excessiva. Um dos grupos ampliou a sugestão
para que a cada aprovação e assinatura de projeto
seja instituído um programa de capacitação
para gestores. A idéia da criação de uma
carreira para os gestores de projetos de cooperação,
com plano de cargos e salários adequados foi justificada
pela necessidade de qualificar o corpo técnico.
Outro ponto defendido foi a integração
de programas como Sistema Integrado de Administração
Financeira do Governo Federal (Siafi) e Sistema Integrado de Dados
Orçamentários (sidor), que no entendimento dos gestores
não se comunicam bem.
Os conflitos na legislação
sobre definição de competências dos agentes
envolvidos nos processos de cooperação técnica,
a diversidade de sistemas de gestão de projetos e demora
na tramitação e aprovação de projetos
reforçaram a tese de que será preciso construir
um marco legal que venha a fortalecer os órgãos
que lidam com recursos externos.