Brasília,
21/11/2005 - Corrigir distorções à luz
de novas abordagens em termos de planejamento e gerenciamento
dos projetos financiados com recursos externos. Esse o enfoque
do primeiro painel do Fórum Desafios à Gestão
na Cooperação Internacional, promovido pelo Ministério
do Planejamento, até esta terça-feira, no Itamaraty.

Foto: Fabiano
Neves/Divulgação
No
Painel "Panorama da Cooperação Internacional
no Brasil: Desafios ao Planejamento e Gestão dos Projetos"
foram palestrantes o embaixador Lauro Barbosa, diretor da Agência
Brasileira de Cooperação (ABC), do Ministério
das Relações Exteriores, Carlos Eduardo Lampert
Costa, coordenador-geral de Projetos do Setor Público da
Secretaria de Assuntos Internacionais do Ministério do
Planejamento, José Cláudio Falcão Soares,
assessor especial da Secretaria Federal de Controle Interno da
Coordenadoria Geral da União e Glauben Teixeira, gerente
da Coordenação de Programação Financeira
da Secretaria do Tesouro Nacional do Ministério da Fazenda.

Foto: Fabiano
Neves/Divulgação
O
diretor da ABC, embaixador Lauro Barbosa, considerou oportuno
o debate sobre cooperação internacional e, na busca
por melhores padrões de gestão nos projetos de cooperação
técnica, defendeu a criação de um marco regulatório
específico para o setor. Disse que a legislação
disponível é insuficiente para acomodar todos os
aspectos que compõem essa atividade. "São necessárias
normas que reconheçam as particularidades das relações
de trabalho mantidas entre instituições nacionais
e os entes de direito internacional público, inclusive
para evitar o choque entre normas internas e externas".
Barbosa
argumentou que em termos de projetos de cooperação
internacional o governo Federal é hoje o maior cliente
dessa modalidade de capacitação para o desenvolvimento.
"Apesar dos programas de cooperação internacional
não representarem um volume de recursos com percentual
expressivo do orçamento federal é inegável
a importância estratégica dos mais de 500 projetos
hoje em execução no país, sejam de cooperação
bilateral, sejam de cooperação multilateral",
destacou.
Para
o diretor da ABC, os desafios à boa gestão de um
projeto de cooperação internacional preexistem antes
mesmo de sua aprovação. "Há necessidade
de o projeto contar com um desenho adequado, devidamente inserido
no planejamento maior das ações do Estado, coordenado
por uma equipe de execução de alta capacidade gerencial
e dotado de um ambiente externo institucional favorável".
O
embaixador disse que os projetos bem sucedidos são justamente
aqueles derivados de exercícios prévios de planejamento
entre o governo brasileiro e seus parceiros externos. Acrescentou
que será preciso aperfeiçoar a capacitação
dos órgãos públicos na preparação
de projeto de desenvolvimento. "Muitas vezes recorre-se a
consultores externos para esse fim, quando em alguns casos as
soluções internas são viáveis",
observou.
Em
sua exposição, o coordenador de projetos da Secretaria
de Assuntos Internacionais do Planejamento, Carlos Eduardo Lampert
Costa, fez uma breve apresentação sobre o perfil
da carteira de projetos brasileira dentro da classificação
cooperação financeira. Disse que existem 114 projetos
nacionais em execução atualmente, que totalizam
US$ 13.3 bilhões, financiamentos na maioria concentrados
no Banco Mundial (35%) e Banco Interamericano de Desenvolvimento
(46%). Salientou que mais de 50% da carteira financiada pelos
organismos bilaterais e multilaterais beneficiam setores como
transporte, educação e saneamento.
Lampert
Costa colocou como novidade o volume de participação
dos municípios, hoje em dia com nove projetos em execução
e 31 em fase de preparação. "Verificamos um
crescimento substancial da presença dos municípios
na carteira de projetos. A nova tendência vem sendo constatada
pelo número de cartas-consulta recebidas na SEAIN com demanda
para financiamento externo a partir da segunda metade de 2004".
Destacou que se tratam de municípios de porte médio,
com capacidade de endividamento e de pagamento, carentes de infra-estrutura
urbana.
Como
estratégia para relacionamento futuro entre governo federal
e organismos internacionais, defendeu a realização
de esforços pela reversão do fluxo financeiro que
passou a ser negativo depois de 2003. "Isso causa pressões
adicionais à balança de pagamentos do país".
Essa reversão, segundo ele, em função da
necessidade de assistência técnica em áreas
pontuais do governo. "Basicamente na área social:
educação, saúde e desenvolvimento social".
Para
tanto, reforçou a importância de contratar projetos
na modalidade SUAP (abordagem ampla, na qual os recursos vão
diretamente ao Tesouro). "Um exemplo típico dessa
modalidade é o Programa Bolsa Família". Outra
estratégia, no entendimento de Lampert seria a contratação
de projetos denominados DPL, de ajuste estrutural, voltados basicamente
à área fiscal, a área de meio ambiente e
às áreas sociais.
José
Cláudio Falcão Soares, assessor especial da Secretaria
de Controle Externo da Controladoria Geral da União, falou
sobre as ações da CGU. Disse que o papel do órgão
é o de acompanhar as gestões dos órgãos
públicos, bem como a aplicação dos recursos
públicos federais via auditorias e fiscalizações.
E destacou que a CGU tem 12 anos de acompanhamento de programas
de cooperação técnica e financiamentos externos.
Soares
explicou que considera essencial a investigação
de pontos críticos nos programas acompanhados. "Essa
investigação abrange tanto aspectos vinculados à
estrutura de operação dos órgãos públicos
como a rotinas e procedimentos implementados pelos programas de
governo e nos permitirá construir uma matriz de risco que
nos aponte quais os rumos a serem priorizados", observou.
Esclareceu
que o controle sobre iniciativas de cooperação corresponde
a zelar para que a cooperação técnica internacional
esteja dentro de seus objetivos. "Além disso, cabe
a CGU, através de seus auditores, orientar os gestores
a redirecionar melhor os processos". Elencou como principais
problemas levantados nesse trabalho os relacionados à gestão
(falta de experiência), equipamentos e instalações
inadequados e dificuldades para levar licitações
a bom termo.
A
gerente de Programação Financeira do Tesouro Nacional,
Glauben Teixeira enfocou o tema da execução orçamentária
e financeira em relação à cooperação
recebida e não cooperação prestada. Disse
que as diretrizes do Tesouro Nacional para projetos externos são
para que todos tenham registro no Sistema Integrado de Administração
Financeira do Governo Federal (SIAFI). "Isso porque anteriormente
a execução desses projetos externos passava por
controles paralelos não satisfatórios para um bom
acompanhamento", explicou ao dizer que a mudança visou
maior transparência. "Com isso, estamos padronizando,
estamos dando para as operações de crédito
a mesma sistemática que é adotada para programação
financeira e a movimentação financeira do Tesouro
Nacional".
Um
outro ponto a ser trilhado, segundo a representante do Ministério
da Fazenda, será o de padronizar a prestação
de contas. "O que existe hoje é que há uma
variação nessa prática dependendo do organismo
internacional recorre-se a um modelo diferente", disse.
Explicou
que os controles do Tesouro Nacional visam proporcionar rapidez
às informações orçamentárias
e financeiras. "Em nenhum momento temos interesse que isso
esteja gerando alguma dificuldade na execução",
reforçou ao adiantar que a Coordenação de
Programação Financeira do Tesouro está aberta
a sugestões para melhorar a execução orçamentária
financeira. "Faz parte do nosso pensamento: os controles
jamais devem prejudicar uma boa execução, razão
pela qual estamos inserindo todo esse acompanhamento no SIAFI".