Notas CRESCIMENTO DO PIB NO PRIMEIRO TRIMESTRE TORNA MAIS FÁCIL CHEGAR AOS 2,5% EM 2002
29/05/2002 O
crescimento real do Produto Interno Bruto no primeiro
trimestre de 2002, em relação ao
quarto trimestre de 2001, foi de 1,34%, em termos
dessazonalizados. Esse crescimento é bem
superior a maior parte das previsões de
mercado. Além disso, a revisão dos
dados dessazonalizados indica que a retomada já
vinha ocorrendo desde o final de 2001, tendo sido
fortalecida no começo do corrente ano.
No conjunto, os dados do primeiro trimestre reforçam
a base para que o PIB cresça 2,5% em termos
reais, em média, no exercício de
2002. Produto Interno Bruto Trimestral in%
No primeiro trimestre de 2002, a taxa de crescimento real do PIB caiu 0,73 ponto percentual, em relação ao mesmo período do ano passado, quando o crescimento foi particularmente elevado. De fato, no início do primeiro trimestre de 2001, o PIB cresceu 1,2%, em termos dessazonalizados, sendo que já vinha crescendo a 4%, quando medido pela variação dos últimos doze meses sem ajuste sazonal. Assim, devido à desaceleração da economia ao longo de 2001, é provável que, mesmo com um crescimento relativamente moderado do PIB no segundo trimestre de 2002, em relação ao primeiro trimestre de 2002, o crescimento no segundo trimestre de 2002, em relação ao mesmo trimestre do ano anterior, seja expressivo. O bom desempenho dos setores de comunicações (9% em relação ao mesmo trimestre do ano anterior), agricultura (4,4%), transportes (2%) e outros serviços (4%) contribuíram expressivamente para o crescimento do PIB no primeiro trimestre de 2002. O crescimento da economia no primeiro trimestre de 2002 foi amortizado pelo menor consumo de energia, apesar do fim do racionamento. De fato, o setor de serviços públicos (SIUP), onde se inclui a energia elétrica, contraiu 12% em relação ao começo de 2001. Não fosse o sucesso do melhor uso da energia, o PIB poderia ter crescido 0,2-0,3 ponto percentual além do observado. As estatísticas do PIB da indústria de transformação ratificam os dados da produção industrial. A indústria de transformação apresentou contração de 2,01% no primeiro trimestre de 2002, em relação ao mesmo período do ano passado, enquanto as estatísticas da produção industrial indicaram uma contração de 3,47% nesse setor, em média, no mesmo período. O indicador geral de produção industrial mostra uma tendência de continuidade de recuperação do setor, que cresceu 2,78% no primeiro trimestre de 2002, em relação ao último trimestre do ano passado, em termos dessazonalizados. Olhando para a frente, a base verificada no começo do ano deverá gerar um "carry over" positivo, apesar da recuperação mais lenta de alguns setores, como o comércio. Não obstante, alguns fatores positivos, como o aquecimento das vendas, decorrente da copa do mundo, e o pagamento estimado de até R$ 8 bilhões por conta do acordo do FGTS, deverão dar suporte adicional ao crescimento da demanda interna. A venda de bens eletrônicos mantém-se em recuperação, acompanhada da queda do custo de crédito ao consumidor naquele setor. O Acordo do FGTS, por sua vez, ao regularizar a situação da correção monetária de contas existentes em 1989 e 1990, priorizou o pagamento dos saldos de menor valor, cujo impacto sobre a demanda deve ser proporcionalmente maior. Como a maior parte das contas que receberão esses depósitos já foi liberada para saque, o efeito desse pagamento contribuirá para o aumento da liquidez. Note-se que esse pagamento não caracteriza um relaxamento fiscal, pois o FGTS é um fundo privado, composto por contas individuais.
ANEXO O exercício abaixo indica possíveis cenários (não são previsões) compatíveis com um crescimento de 2,5% em 2002. Cenários
de Crescimento Trimestre a Trimestre em 2002(dessazonalizado)
Fonte: Assessoria Econômica/MP
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