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Reunião Anual do BID: Discurso Ministra Miriam Belchior

publicado:  19/03/2012 16h16, última modificação:  02/06/2015 19h22

Reunião Anual do Bid: Discurso Ministra Miriam Belchior

 

Senhora Presidente da Assembléia de Governadores,
Senhor Presidente do Grupo BID,
Senhoras e Senhores Governadores,
Senhoras e Senhores,

 

É um enorme prazer comparecer a esta Assembleia de Governadores do BID, em Montevidéu, capital de um país de história singular.

Em tempos mais recentes, essa história passou por um novo capítulo: a reconstrução da democracia, o que me remete à história do meu país.

A eleição do Presidente José Mujica e a da Presidenta Dilma Rousseff transportam para os dias de hoje sonhos de suas juventudes, evidenciam a valorização da democracia por nossos povos e reafirmam o compromisso com os cidadãos mais humildes de nossos países.

Uruguaias e uruguaios têm cumprido papel de vanguarda cultural, social e política.

Foram pioneiros na erradicação do analfabetismo, na implantação da educação universitária, dos direitos civis, do direito ao voto feminino e ao divórcio, da legalização do casamento de pessoas de mesmo sexo, do direito de culto e da absoluta separação entre igreja e Estado. Por essa razão, estou muito feliz de poder estar aqui.

Gostaria de agradecer a oportunidade de ter falado aos governadores, na sessão de ontem, sobre a Rio + 20.

Quero reafirmar que mais do que fazer um balanço e renovar o legado da Rio 92, trata-se de uma oportunidade única de reflexão e ação frente ao futuro de nosso planeta.

Esperamos firmar um compromisso sólido pelo desenvolvimento sustentável, com solidariedade e responsabilidade compartilhada, priorizando, sempre, a redução da pobreza e a melhoria de vida de nossas populações.

Reiteramos o convite para que todas as governadoras e governadores estejam no Rio de Janeiro em junho, e contamos com seu apoio para reforçar nosso convite aos seus Chefes de Estado.

Senhoras governadoras, senhores governadores, a América Latina e o Caribe encontram-se hoje em um novo patamar econômico, político e social. Todas as previsões apontam que a economia da nossa região crescerá, em 2012, acima da média internacional, mesmo em um cenário de forte incerteza.

Nossos avanços foram fruto de muitos sacrifícios. Não é justo, portanto, que o custo da crise internacional provoque retrocesso em nossas conquistas. Precisamos dar continuidade a esses avanços, para alcançar a efetiva superação dos problemas históricos do nosso desenvolvimento. O Banco precisa, portanto, estar sintonizado com a dimensão desses desafios, priorizando projetos estruturantes, especialmente os de integração regional e sub-regional, a despeito das dificuldades de implementação que a complexidade desses projetos impõem.

Ao mesmo tempo, é fundamental que o Banco continue apoiando ações demandadas por situações de emergência, em casos, por exemplo, de desastres naturais e intervenções anticíclicas.

Esse contexto regional requer um esforço adicional do BID. Por essa razão, acompanhamos com interesse a discussão dos novos mecanismos financeiros propostos pela administração do Banco.

Lembramos, no entanto, que a introdução desses mecanismos não resolve, por si só, a questão fundamental da disponibilidade de recursos.

Reiteramos nosso compromisso com o Haiti, incentivando o BID a engajar-se ainda mais em projetos estruturantes nesse país, num esforço solidário que ganha maior nitidez nos momentos em que o resultado financeiro do Banco causa preocupação.

Acreditamos que o BID caminha progressivamente para o alcance das metas acordadas, no marco do nono aumento de capital, para 2015. Além disso, temos acompanhado a evolução das reformas incluídas na “Agenda de Melhor Banco.

Chamamos atenção, em especial, para que a “Análise de Sustentabilidade Macroeconômica não veicule juízos de valor sobre as políticas nacionais e não se converta em instrumento que dificulte o apoio do Banco àquelas economias que enfrentem desafios conjunturais. É justamente nesses momentos que o BID deve demonstrar sua vocação de não ser apenas um banco, mas sim uma instituição que também promove o intercâmbio de experiências e a geração de conhecimentos aplicáveis à realidade de nossa região.

Uma instituição com um corpo de funcionários atentos às necessidades regionais, eficiente e que preserve o seu caráter multilateral e multicultural.

Ao terminar, gostaria de lembrar um poeta espanhol que disse: “Caminante, no hay camino, se hace el camino al andar.

Como Ministra do Planejamento, não vejo nesse verso um desincentivo ao esforço de tentar antecipar o futuro, mas, sim, um alerta para que estejamos abertos ao que é novo em nosso presente.

É com esse espírito que saúdo o caminho inovador da América Latina e o Caribe, que se tornou referência para outras regiões e outros povos.

Estamos provando que é possível fazer diferente. Que uma outra história se escreve quando muitas mãos se unem num esforço criativo e laborioso, rumo a um mundo melhor para todos.

 

Muito obrigada