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Prefeitos de cidades produtoras de calçado pedem manutenção de taxa sobre produto chinês

publicado:  04/03/2010 15h42, última modificação:  02/06/2015 19h21

Brasília, 4/3/2010 – O secretário-executivo do Ministério do Planejamento, João Bernardo Bringel, recebeu na manhã desta quinta-feira um grupo de prefeitos de cidades brasileiras produtoras de calçados, que pediram apoio do ministério na manutenção de sobretaxa sobre os calçados importados da China. O encontro ocorreu no Salão Nobre do Ministério do Planejamento, em Brasília.



Os prefeitos afirmaram que o setor calçadista tem enfrentado dificuldades nos últimos anos, uma vez que os produtores brasileiros estão enfrentando a concorrência dos calçados chineses no mercado internacional e no próprio mercado interno, a preços consideravelmente inferiores aos produzidos no Brasil.



Para assegurar que as fábricas brasileiras continuem funcionando, os prefeitos pediram o apoio do Ministério do Planejamento para que seja mantida taxa aplicada na importação de calçados da China, em vigência desde setembro do ano passado, que implica no pagamento de US$ 12,47 por par de calçado importado do país asiático.

A sobretaxa foi imposta devido à prática de dumping por parte da China, uma estratégia comercial que consiste em uma ou mais empresas de um país venderem seus produtos por preços extraordinariamente abaixo de seu valor justo para outro país (preço que geralmente se considera menor do que o que se cobra pelo produto dentro do próprio país exportador). Essa prática é considerada desleal pela Organização Mundial do Comércio (OMC).

O secretário-executivo do Planejamento, João Bernardo Bringel, garantiu aos prefeitos que a taxa será mantida, mas afirmou que ainda não há uma decisão sobre alteração nos valores: “Estamos a favor da indústria nacional. A posição do Ministério do Planejamento é a de que devemos manter essa sobretaxa. Entretanto, não temos ainda uma definição sobre uma possível alteração do valor.



Se não for renovada, a sobretaxação termina na próxima segunda-feira, 8 de março. A decisão será tomada pela Câmara de Comércio Exterior, que tem como integrantes os ministros do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior; da Casa Civil; das Relações Exteriores; da Fazenda; da Agricultura; do Planejamento; e do Desenvolvimento Agrário.

Estabilidade do mercado

De acordo com o prefeito da cidade gaúcha de Novo Hamburgo, Tarcísio Zimmermann, um dos participantes do encontro no Ministério do Planejamento, o crescimento da demanda do mercado interno proporcionou, em parte, a recuperação do setor calçadista.

“Estamos observando, nos últimos tempos, a retomada do emprego nas cidades produtoras. O Governo Lula tem sido muito sensível nessa questão e tem ajudado bastante o setor, destacou o prefeito.

Ele acrescentou também que hoje, com a retomada do crescimento dos negócios nas cidades produtoras de calçados, carros-de-som saem às ruas convocando as pessoas para trabalharem nas fábricas. “Esse é um fenômeno que não víamos já fazia algum tempo, comentou Zimmermann.