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“Não estamos colocando trancas em portas arrombadas”, diz Bernardo

publicado:  13/06/2007 06h00, última modificação:  02/06/2015 16h21

Brasília, 13/6/2007 - O ministro do Planejamento, Paulo Bernardo, afirmou hoje, ao abrir o Seminário Brasil-Europa de Prevenção da Corrupção, que o Governo Federal avançou muito no combate a essa “prática abominável”. A ponto, segundo ele, de as notícias que vêm sendo publicadas na imprensa gerarem uma dúvida na opinião pública: será que a corrupção tem aumentado nos últimos anos no Brasil? A resposta, garante o ministro, é não.


Foto: Antonio Cunho/Divulgação

“Não estamos colocando trancas em portas arrombadas”, enfatizou Paulo Bernardo. “Estamos mostrando, isso sim, que o combate é feito de maneira democrática, não tem excetuado ninguém. Aumentou o combate, e tenho certeza de que isso vai fazer refluir essas práticas, que são práticas que a sociedade não aceita”.

O seminário, aberto na manhã desta quarta-feira, no auditório da Confederação Nacional dos Trabalhadores no Comércio (CNTC), pelo ministro Jorge Hage, da Controladoria Geral da União, é, segundo Paulo Bernardo, mais um passo no sentido de melhorar ainda mais o controle das ações governamentais.

 
Foto: Antonio Cunho/Divulgação

Durante três dias, até sexta-feira, especialistas brasileiros e europeus estarão reunidos para debater o tema com altos funcionários do governo federal, de governos estaduais e municipais, e de autoridades do Legislativo e do Judiciário.

Três peritos da União Européia mostrarão aos participantes o que vem sendo feito em seus países para prevenir a prática da corrupção. “E não pensem que é só no Brasil que existem essas práticas, elas existem também na Europa”, lembrou o embaixador João Pacheco, chefe da Delegação da Comissão Européia. “Senão não teríamos experiências a compartilhar”.

Os especialistas europeus convidados são o francês Jean Cartier-Bresson, da Universidade de Versailles Saint Quentin, que falará sobre controle do Estado; o sueco Fredrik Eriksson, que analisará a promoção da ética como forma de prevenção da corrupção; e o búlgaro Georgi Rupchev, que abordará o tema da cooperação internacional contra a corrupção.

O encontro é parte do Projeto EuroBrasil 2000 - Apoio à Modernização do Aparelho de Estado, que resulta de um acordo de cooperação técnica firmado entre o Brasil e a União Européia.


Foto: Antonio Cunho/Divulgação

Ponte sobre o nada

O ministro Paulo Bernardo foi enfático ao falar sobre dois instrumentos que ele considera fundamentais na prevenção da corrupção: tecnologia e inteligência. Uma maior conjugação desses dois fatores poderia evitar, por exemplo, o que ele chamou de “imagem chocante”, divulgada recentemente. Referia-se a uma ponte abandonada, no Maranhão, “ligando o nada a lugar nenhum”. Não se via nenhuma estrada, rio, nada de nenhum dos lados.

“No entanto” – relatou o ministro –, “para essa ponte ser construída, passou por várias instâncias. Desde liberação de orçamento, elaboração de projeto, talvez licença ambiental, prestação de contas. E descobrimos depois ser uma obra completamente desnecessária e absurda. Mas no papel, as coisas estavam aparentemente regulares”.

“Portanto, é fundamental”, continuou Paulo Bernardo, “que incorporemos práticas que permitam detectar esses absurdos ainda no andamento dos trabalhos, antes e durante sua execução. Esse seminário dará grande contribuição para que uma coisa como essa não continue a ocorrer, para que se melhore ainda mais a qualidade do gasto”, concluiu.