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Integração da América do Sul é discutida por técnicos no Rio

publicado:  03/08/2006 06h00, última modificação:  02/06/2015 16h21

Brasília, 3/8/2006 - Os coordenadores nacionais da Iniciativa para a Integração Regional Sul-Americana (IIRSA) vão discutir o gerenciamento dos 31 projetos de uma carteira de empreendimentos estratégicos que envolvem recursos de cerca de US$ 5,8 bilhões, a partir de 8 deste mês, na sede do BNDES, no Rio.

Ariel Pares, Secretário de Planejamento e Investimentos Estratégicos do Ministério do Planejamento e coordenador da IIRSA pelo Brasil, disse que durente três dias será feita a revisão do programa de trabalho do segundo semestre e a análise dos resultados obtidos, além da discussão dos insumos necessários para o programa de trabalho para 2007.

"Os representantes dos países participantes da IIRSA vão discutir também os preparativos para a realização da Oitava Reunião do Comitê de Direção Executiva que acontecerá em Quito, no Equador, em dezembro deste ano", afirmou Ariel.

Nos dias 09 e 10 de agosto, além dos coordenadores nacionais, vão participar de uma Oficina sobre a Gestão Intensiva de Projetos Orientados para resultados os técnicos envolvidos na administração intensiva dos projetos da carteira da IIRSA, que fazem parte da Agenda de Implementação Consensuada entre os 12 países membros e que devem ser implementados até 2010.

Participarão, ainda, funcionários das instituições multilaterais que fazem parte do Comitê de Coordenação Técnica da IIRSA como o BID, a CAF e o Fonplata. A Oficina é para promover a capacitação dos coordenadores nacionais e dos gerentes de projetos estratégicos da IIRSA visando uma administração voltada para resultados.

Será feita, ainda, uma avaliação do Sistema de Informações para a Gestão estratégica (SIGE), com atenção especial para a administração das restrições encontradas na implementação dos projetos da Agenda. O SIGE é baseado no sistema de gerenciamento utilizado no Brasil para o Plano Plurianual.

Ariel Pares disse que a oficina pretende ainda ser um ambiente de troca de experiências entre os países membros da IIRSA e os especialistas em gestão orientada para resultados.

A IIRSA

A IIRSA surgiu a partir da experiência brasileira de planejamento territorial, conhecida como Estudo dos Eixos, realizada pelo Ministério do Planejamento e BNDES no ano 2000, que planejava o país a partir de regiões com relacionamento econômico.

O estudo incentivou e mobilizou 12 países sul-americanos a elaborar trabalho semelhante para a integração física de suas infra-estruturas, dentro de uma lógica geo-econômica e não apenas geopolítica. Com esta nova visão foram identificadosd de dez eixos: Andino, Amazonas, Peru-Brasil-Bolívia, Capricórnio, Escudo Guianês, Andino do Sul, Interoceânico Central, Mercosul-Chile, Hidrovia Paraná-Paraguai e Sul.

A partir dos Eixos, foi elaborada uma carteira de 348 projetos de integração no valor de US$ 38 bilhões, dos quais foram retirados, depois de várias rodadas técnicas, 31 projetos estratégicos reunidos em um portfólio chamado de Agenda de Implementação Consensuada 2005-2010. O conjunto destes projetos envolve recursos da ordem de US$ 5,8 bilhões e com gerenciamento especial por parte dos países envolvidos.

A agenda foi resultado de um processo de planejamento que se construiu nos anos de 2001, 2002 e 2003 e foi reiterada pelos chefes de Estado da região na reunião de Cuzco, em dezembro de 2004.

Além dessa última, desde a sua criação, já houve mais duas reuniões de presidentes da América do Sul, sendo a primeira em setembro de 2002, em Brasília, e a segunda em Guayaquil, em julho de 2002.

Além dos países membros, estão envolvidos no projeto três instituições financeiras multilaterais: Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID), Corporação Andina de Fomento (CAF) e Fundo Financeiro para o Desenvolvimento da Bacia do Prata (FONPLATA), além da participação do setor privado.

Os resultados alcançados demonstram a maturidade institucional da região que, apesar das mudanças de governo, mantém a integração física sul-americana no topo da agenda política dos 12 países da região.