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IBGE divulga dados da produção industrial de novembro de 2008*

publicado:  06/01/2009 12h28, última modificação:  02/06/2015 19h21

 Brasília, 3/1/2009 - 

O IBGE divulgou nesta terça-feira, 06.01, os números da produção industrial de novembro de 2008 que mostrou um recuo de 5,2% frente a outubro, segundo resultado negativo consecutivo, acumulando perda de 7,9% entre setembro e novembro, na série com ajuste sazonal. No confronto com novembro de 2007, foi registrada uma redução de 6,2%, que interrompeu um ciclo de 28 meses de taxas positivas nessa comparação. Com isso, o índice acumulado para o período janeiro-novembro de 2008 ficou em 4,7%, e o acumulado nos últimos 12 meses (4,8%) desacelerou frente ao resultado de outubro (6,0%).


 

O recuo de 5,2% observado na passagem de outubro para novembro foi o maior desde maio de 1995 (-11,2%), levando o patamar de produção industrial brasileira a retornar a um nível próximo ao de maio de 2007. Esse resultado refletiu o comportamento negativo de 21 dos 27 ramos pesquisados e atingiu todas as categorias de uso.

O principal impacto negativo veio da indústria de veículos automotores, com queda de 22,6%, seguida por máquinas e equipamentos (-11,9%), edição e impressão (-14,8%), indústrias extrativas (-10,9%) e metalurgia básica (-10,2%). Em novembro, todos esses setores acentuaram o ritmo de queda já registrado em outubro, de, respectivamente, -1,6%, -5,1%, -5,1%, -0,3% e -0,3%.

Ainda na comparação com outubro, os índices por categorias de uso confirmam a generalização da queda. Os bens de consumo duráveis recuaram 20,4% na comparação com ajuste sazonal, maior redução desde dezembro de 1997 (-21,2%), refletindo a sensibilidade desse segmento às condições do crédito. Bens de capital tiveram queda de 4,0%; e bens intermediários, de 3,9%, quarta redução consecutiva, acumulando, entre julho e novembro, perda de 9,6%. A produção de bens de consumo semi e não-duráveis, por sua vez, registrou a queda mais moderada (-0,7%).

O efeito da desaceleração industrial em novembro foi claramente negativo sobre a trajetória do índice de média móvel trimestral (indicador de tendência). Para a indústria geral, acentuou-se o ritmo de queda entre outubro (-0,8%) e novembro (-2,1%), quando foi registrada a maior redução desde janeiro de 1998 (-2,4%), particularmente influenciada pelo recuo da produção de bens de consumo duráveis (-7,9%) e de bens intermediários (-2,5%), uma vez que bens de consumo semi e não-duráveis (-0,3%) e bens de capital (-0,4%) registraram reduções menores.

Na comparação com novembro de 2007, a redução de 6,2% foi a maior desde os -6,4% de dezembro de 2001, evidenciando um aprofundamento do ritmo de queda da atividade e um alargamento do conjunto de segmentos com decréscimo de produção.

Dos 27 ramos industriais investigados, 22 exibiram índices negativos, com os principais impactos vindo de veículos automotores (-18,3%), outros produtos químicos (-13,0%), material eletrônico e equipamentos de comunicações (-20,5%), máquinas para escritório e equipamentos de informática (-29,7%) e borracha e plástico (-16,5%). Dentre os cinco ramos com expansão, destacaram-se outros equipamentos de transporte (73,0%) e a indústria farmacêutica (17,0%), sustentados pela maior produção de aviões e medicamentos.

O índice de difusão também refletiu a ampliação do quadro negativo: 64% dos 755 produtos investigados mostraram queda na produção, nível recorde desde janeiro de 2003, mês do início da série desse índice.

No corte por categorias de uso, ainda no comparativo novembro 08/ novembro 07, apenas bens de capital sustentaram expansão (3,6%), ao passo que bens de consumo duráveis (-22,1%), bens intermediários (-7,5%) e bens de consumo semi e não-duráveis (-2,8%) apontaram taxas negativas. É principalmente em bens de consumo duráveis que se evidenciam os efeitos da extensão das férias coletivas e das paralisações não planejadas já registradas em outubro.

O segmento de bens de capital foi positivamente influenciado pelo desempenho de bens de capital para transporte (39,1%) e para agricultura (13,6%), enquanto máquinas e equipamentos para fins industriais (-10,9%), para construção (-8,0%) e para uso misto (-20,1%) assinalaram quedas significativas. Entre os bens de consumo duráveis, todos os grupamentos mostraram forte redução, com destaque para automóveis (-34,2%), seguidos por eletrodomésticos (-12,9%) e telefones celulares (-4,6%). Setor de maior peso na estrutura industrial, bens intermediários apontaram, em novembro de 2008, índice de difusão recorde: 68% dos 410 produtos pesquisados assinalaram queda, principalmente aqueles associados às atividades de outros produtos químicos (-12,6%), metalurgia básica (-8,9%), borracha e plástico (-16,8%) e veículos automotores (-15,2%). A produção de bens de consumo semi e não-duráveis recuou 2,8%, pressionada, sobretudo, pelos segmentos de semiduráveis (-16,0%) e de alimentos e bebidas elaborados para consumo doméstico (-2,8%). Os crescimentos em carburantes (4,5%) e em outros não-duráveis (0,3%) impediram um resultado global mais negativo.

O indicador de produção industrial acumulada de janeiro a novembro (4,7%) perdeu, em dois meses 1,7 ponto percentual. A liderança, em termos de impacto, manteve-se com veículos automotores (12,6%), seguido por outros equipamentos de transporte (37,9%) e máquinas e equipamentos (8,5%). Em sentido oposto, as quedas que mais pressionaram o índice global vieram de máquinas para escritório e equipamentos de informática (-7,0%), madeira (-9,8%) e calçados e artigos de couro (-6,2%).

Segundo as categorias de uso, ainda nesse indicador acumulado, bens de capital tiveram a maior expansão (17,0%), confirmando o ciclo de investimentos ao longo do ano de 2008. O setor de bens de consumo duráveis (7,3%) também assinalou crescimento acima da média (4,7%), apoiado principalmente na forte expansão da demanda doméstica por automóveis observada até setembro, enquanto os desempenhos de bens intermediários (3,3%) e bens de consumo semi e não-duráveis (1,7%) ficaram abaixo da média.


* Nota da ASCOM do IBGE