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Governo mudou a noção de combate à corrupção

publicado:  12/06/2007 06h00, última modificação:  02/06/2015 16h21

Brasília, 12/6/2007 – O Governo Lula mudou a história do combate à corrupção no Brasil. Até recentemente, a corrupção era vista como um problema histórico/cultural, considerado endêmico, que não adiantava combater. O atual governo mudou essa concepção e tem clareza absoluta da força e da complexidade do “inimigo”, que vem sendo combatido em várias frentes.


Foto: Antonio Cunha/Divulgação.

A definição é do ministro Jorge Hage, da Controladoria Geral da União – CGU -,  durante entrevista coletiva concedida hoje, véspera de abertura do Seminário Brasil-Europa de Prevenção da Corrupção, que começa às 9h, no auditório da Confederação Nacional dos Trabalhadores no Comércio (CNTC), na Avenida W-5 Sul, quadra 902, Bloco C.

Segundo Hage, o noticiário publicado recentemente pela imprensa, sobre as diversas operações realizadas pela Polícia Federal – Navalha, Xeque-Mate, Sanguessuga, entre outras – resulta de um trabalho que não é ocasional, mas diuturno, envolvendo os diversos órgãos de controle. “O fato novo são as gravações”, define Hage.

O seminário é mais um dos instrumentos que a CGU utilizará para fortalecimento da transparência pública das ações governamentais. “É uma oportunidade de fazer uma avaliação dos avanços que já se obteve nesse campo nos primeiros quatro anos do Governo Lula e, ao mesmo tempo, uma reflexão sobre o futuro, a busca de novas formas e caminhos para os próximos quatro anos”, como explicou Ruben Bauer, diretor do Projeto EuroBrasil, do Ministério do Planejamento, Orçamento e Gestão. 

O encontro resulta desse projeto de cooperação técnica firmado entre o Brasil e a União Européia, que conta com recursos de 4,5 milhões de euros em diversas ações de modernização do Estado. “O acordo não usa, em nenhum momento, a palavra corrupção. Mas fala diversas vezes em cidadania”, comenta Ruben Bauer. “E cidadania pressupõe transparência e participação da sociedade no controle do Estado”.


Foto: Antonio Cunha/Divulgação.

Na entrevista coletiva, realizada na Delegação da Comissão Européia, foram apresentados os três especialistas europeus que apresentarão as experiências de seus países – França, Suécia e Bulgária – nessa área. “A corrupção é uma doença. E como toda doença pode ser tratada com prevenção”, enfatizou o embaixador João Pacheco, chefe da Delegação da Comissão Européia.

No encontro, que começa amanhã e vai até sexta-feira, o francês Jean Cartier-Bresson, da Universidade de Versailles Saint  Quentin abordará controle do Estado; o sueco Fredrik Eriksson falará sobre a promoção da ética como forma de prevenção da corrupção; e o búlgaro Georgi Rupchev abordará o tema da cooperação internacional contra a corrupção. (veja a programação completa).

Fredrik Eriksson é mestre em direito pelo Instituto Raoul Wallenberg da Suécia, advogado especialista em direito administrativo e licitações públicas e diretor da ONG Impact –Integrity Management and Programmes for Accountability and Transparency (Gestão da Integridade e Programas para a Responsabilidade e Transparência).

O professor Jean Cartier-Bresson é doutor em economia pela Universidade de Paris XIII, professor de economia pública e de economia do desenvolvimento na Universidade de Versailles e membro do Centro de Economia e Ética para o Ambiente e o Desenvolvimento na mesma universidade.

Georgi Rupchev é mestre em direito pela Universidade de Sofia, Bulgária, e em Direito Internacional pela Universidade Estatal de Moscou de Relações Internacionais. É diretor de Cooperação Internacional e Integração Européia do Ministério da Justiça da República da Bulgária e membro do Grupo de Estados Contra a Corrupção (Greco) do Conselho da Europa.