Você está aqui: Página Inicial > Notícias > Entrevista do ministro Paulo Bernardo ao Estado de SP

Entrevista do ministro Paulo Bernardo ao Estado de SP

publicado:  13/05/2010 13h11, última modificação:  02/06/2015 19h21

Ministro do Planejamento diz que medida visa a evitar superaquecimento da economia e alta do juro.


O ministro Paulo Bernardo (Planejamento) disse em entrevista ao Estado que o governo pretende evitar que a economia do País registre superaquecimento neste ano e tenha de sofrer freada brusca em 2011. Para isso, haverá cortes de gastos, o que vai na contramão do que foi feito até aqui na gestão Lula. ""Vamos tentar fazer o menos dolorido possível, mas vai doer", afirmou Bernardo. O ministro disse que a ideia é evitar forte alta de juros, mas negou interesse eleitoral. "Aqui não nos preocupamos com eleição. Se fosse por causa disso, deixaríamos a economia crescer 8% (em 2010) e crescer pouco no ano que vem. Isso, sim, seria visão eleitoreira." Sobre as pressões por aumento para aposentados e servidores, ele disse: "Não temos condições de atender, nem de longe, todas essas coisas".

ENTREVISTA

Paulo Bernardo, ministro do Planejamento.


Depois de passar todo o governo Luiz Inácio Lula da Silva atuando em sentidos contrários, as políticas de gastos e de juros do governo vão entrar em coordenação. Essa é, pelo menos, a intenção da equipe econômica, que propôs ao presidente um corte de gastos, o que ajudaria no combate à inflação e pouparia o Banco Central de elevar os juros em 2010.

O objetivo, segundo explicou ao Estado o ministro do Planejamento, Paulo Bernardo, é evitar que a economia superaqueça este ano tenha de ser freada bruscamente em 2011. O ministro disse que não será um megacorte, mas avisa que "vai doer". A seguir, trechos da entrevista.

O ministro Guido Mantega levantou a hipótese de o governo cortar gastos este ano. Tem até especulação que o decreto de programação financeira, no dia 20, virá com um corte. É isso?

Não temos decisão, mas é verdade que o Guido Mantega falou comigo e com o presidente. E o presidente não deu orientação na direção contrária. Determinou que estudássemos.

Mas por que cortar, se a economia está indo bem e a perspectiva é de receitas elevadas?

Cresce um sentimento de que a economia está acelerando para além daquilo que todos avaliavam. Já tem gente falando que podemos crescer 7%. O que pode acontecer? Vamos ficar olhando o Banco Central aumentar os juros? O que estamos discutindo são outras alternativas. Como podemos ajudar com a política fiscal.

Não é de hoje que a ata do Copom avisa sobre o risco inflacionário criado pela demanda do governo. Por que agora se olha para o problema? Tem relação com a crise na Europa?

O Banco Central faz o papel dele quando coloca esses alertas na ata e nós, normalmente, levamos esses alertas a sério. Com a crise internacional, temos de ficar mais atentos. Ninguém acha que a Grécia tem peso suficiente para arrastar a economia mundial, mas é verdade que as expectativas se deterioraram.

É para evitar uma alta do juro às vésperas da eleição?

Aqui não nos preocupamos com eleição. Não estou com brincadeira, não. O governo quer que tenhamos condições de crescer 5% no ano que vem, 5% em 2012. Se fosse por causa da eleição, deixaríamos a economia acelerar, crescer 8% e crescer pouco no ano que vem. Isso sim, seria uma visão eleitoreira.

Vai ter uma coordenação maior entre as políticas monetária e fiscal?

Sempre tentamos fazer isso.

Para fazer o ajuste fiscal, o governo vai abrir mão de descontar as despesas com o PAC do superávit primário?

Isso não mudou. Todos os anos, tentamos cumprir a meta sem descontar. Descontamos um tiquinho em 2008 e 2009. Foi um ponto fora da curva.

Existe a necessidade de aumentar a meta de superávit?

Existe, mas eu não vejo condição para fazer isso, sinceramente. Não vamos parar o PAC, não vamos cortar os programas sociais.

Então, não será um megacorte. Não. Vamos tentar fazer o menos dolorido possível, mas vai doer.

Fonte: O Estado de S. Paulo