Discursos
DISCURSO DO MINISTRO MARTUS TAVARES
NO BID Washington
05/11/1999
PLANO
AVANÇA BRASIL
1.
Desempenho recente da economia brasileira
Como
todos sabem, o Brasil esteve nas manchetes
de jornais em todo o mundo no início
deste ano, quando mudou sua política
cambial, passando a adotar um regime
de flutuação. Gostaria de comentar
alguns eventos e a condução da política
econômica desde então.
Durante
os primeiros meses após a mudança
do regime cambial muitos economistas
- inclusive aqueles que defendiam
a mudança do regime - previam que
o impacto da desvalorização cambial
resultaria em taxas de inflação superiores
a 20% em 1999. As projeções mais pessimistas
chegavam a prever taxas da ordem de
50%. Para o crescimento do PIB, falava-se
em uma recessão da ordem de 4% a 5%.
Poucos
meses depois constatou-se que o impacto
da desvalorização sobre o crescimento
dos preços domésticos ficou muito
abaixo das previsões iniciais. Da
mesma forma, as previsões de queda
de 4% a 5% no PIB não se materializaram
e os indicadores mais recentes indicam
que a economia crescerá algo em torno
de 0,2% a 0,3% em 1999.
Por
que esta reação tão favorável ?
Entre
os fatores que explicam esta reação
extremamente positiva da economia
brasileira podemos destacar:
o
apoio externo, expresso pelo acordo
com o FMI;
as
transformações da economia, após
5 anos de estabilidade de preços,
com destaque para a desindexação
da economia e o aumento da competição
e da produtividade;
a
posição saudável do setor privado,
que estava relativamente bem protegido
contra mudanças no câmbio. Vale
mencionar notadamente o setor
financeiro, pouco alavancado e
robustecido pelo Programa de Estímulo
à Reestruturação e ao Fortalecimento
do Sistema Financeiro Nacional
(PROER), implementado em 1996.
Essa característica não foi e
não é encontrada com freqüência
em outros países emergentes;
a
capacidade ociosa da economia;
a
ação do Banco Central em março
deste ano, agindo para conter
a volatilidade no mercado cambial
e, posteriormente, adotando o
regime de metas de inflação; e
o
firme compromisso demonstrado
pelo governo para levar adiante
o Programa de Estabilidade Fiscal,
anunciado no final de 1998 e reforçado
por medidas adicionais no primeiro
trimestre deste ano.
A
introdução do regime de câmbio flutuante
criou condições para a queda da taxa
real de juros doméstica, ponto crucial
para a retomada do crescimento econômico
e para ajudar a equacionar nosso problema
fiscal.
Por
outro lado, é importante reconhecer
que a recuperação do saldo comercial
tem sido mais lenta que o esperado
- o déficit deste ano deverá ficar
acima de US$ 1 bilhão, contra US$
6 bilhões em 1998. Com a melhora projetada
nos preços internacionais e a recuperação
das economias asiática e européia,
estamos projetando um superávit na
balança comercial em torno de US$
5 bilhões no próximo ano.
A
expectativa para o saldo em transações
correntes é mais favorável e descendente
em valores absolutos. Este déficit,
que atingiu US$ 34 bilhões em 1998,
deverá fechar o ano com um fluxo em
torno de US$ 26 bilhões e deverá ser
financiado integralmente pela entrada
de investimentos estrangeiros diretos.
É importante lembrar que o Brasil
continua recebendo parcelas significativas
de investimentos diretos. É o segundo,
atrás da China, nos mercados emergentes
e o quinto no mundo.
Vale
destacar também o cumprimento satisfatório
dos critérios de performance acertados
com o FMI - crédito doméstico líquido,
reservas líquidas ajustadas, dívida
externa total e de curto prazo do
setor público não financeiro e superávit
primário consolidado - que melhora
diretamente a percepção do nosso "risco
soberano" no cenário internacional.
Em
relação ao superávit primário, vale
a pena reafirmar que cumprimos pelo
quarto trimestre consecutivo a meta
estabelecida com o FMI. As metas foram
superadas com folga até o momento
e estamos seguros que conseguiremos
cumprir o fixado para o ano de 1999.
O
progresso já alcançado na área fiscal
será reforçado com a aprovação da
Lei de Responsabilidade Fiscal, instrumento
indispensável para o aumento da disciplina
fiscal e o respeito às limitações
orçamentárias. Essa Lei contribuirá
de maneira decisiva para a mudança
do regime fiscal brasileiro, pois
implica mudança na cultura e na atitude
do administrador público, com previsão
de penas severas.
Outro
avanço institucional importante na
busca de um ajuste fiscal definitivo
foi a introdução da meta de superávit
primário na Lei de Diretrizes Orçamentárias
(LDO).
Destaque-se
ainda que o controle da inflação tem
colaborado para o aperfeiçoamento
do processo orçamentário, transformando
a discussão acerca do Orçamento em
um dos temas mais importantes do debate
econômico. A preparação e o envio
ao Congresso do Orçamento para 2000
mostraram um firme compromisso com
a transparência. É importante frisar
que o Brasil está passando por uma
revolução em matéria de Orçamento
e de execução da despesa pública.
Em
suma, desde que o cenário internacional
não se altere substancialmente, nossas
expectativas para 2000 são:
crescimento
do PIB de 4%;
queda
da taxa anual de inflação (IPCA)
para o nível de 6%, de acordo
com o regime de metas de inflação;
continuidade
do ajuste das contas do balanço
de pagamentos, com superávit na
balança comercial em torno de
US$ 5 bilhões;
superávit
primário consolidado do setor
público de 3,25% do PIB, com substancial
redução no déficit público total,
para menos de 4% do PIB; e
redução
da taxa de desemprego.
Não
gostaria de detalhar nessa oportunidade,
mas devemos ter presente também os
avanços já alcançados nas reformas
administrativa e previdenciária aprovadas
pelo Congresso e que estão em fase
de regulamentação. Da mesma forma,
lembro o empenho do governo federal
em aprovar uma reforma tributária
que objetiva simplificar o sistema
tributário e desonerar a produção,
os investimentos e as exportações.
2.
Avança Brasil: um projeto de desenvolvimento
e de oportunidades de investimento
O
desenvolvimento implica grandes desafios
a serem vencidos. Para crescer de
forma sustentada é necessário preservar
a estabilidade macroeconômica.
No
caso do Brasil, além das condições
macroeconômicas favoráveis, o desenvolvimento
do País requer melhoria nos sistemas
de planejamento, de orçamento e de
gestão, com o objetivo de reorientar
a ação do governo, aumentar a eficiência
do setor público e ampliar os espaços
para a formação de parcerias com setor
privado.
O
estágio do nosso desenvolvimento exige
ainda pesados investimentos públicos
e privados nos próximos anos. Investimentos
para aperfeiçoar a infra-estrutura
de transportes, de energia, de telecomunicações.
Investimentos na área social, para
ampliar o acesso da população à saúde,
à educação, à segurança, à habitação,
ao saneamento, com níveis de qualidade
cada vez mais elevados.
O
governo brasileiro está preparado
para enfrentar esses desafios.
O
plano do governo para o período 2000-2003,
denominado Avança Brasil e encaminhado
ao Congresso Nacional em agosto último,
é consistente com a estabilidade macroeconômica
e mobiliza recursos da ordem de US$
636 bilhões, aí incluídos os gastos
da Previdência Social (US$ 212 bilhões),
os gastos das empresas estatais (US$
67 bilhões), as aplicações dos bancos
e fundos públicos federais (US$ 73
bilhões), e os recursos das parcerias
com setor privado e governos estaduais
(US$ 66 bilhões).
Na
área social, os programas envolvem
a aplicação de US$ 334 bilhões nos
próximos quatro anos. O objetivo é
o aumento do nível educacional da
população, a melhoria das condições
de moradia e de saneamento, a ampliação
do atendimento à saúde, a garantia
de mais segurança nas cidades brasileiras,
o aumento da oferta de emprego.
Na
área de infra-estrutura econômica,
o Avança Brasil prevê dispêndios de
US$ 121 bilhões no mesmo período,
com destaque para os setores de energia
e transporte. Os projetos envolvem
a construção ou recuperação de rodovias,
ferrovias, hidrovias, portos, aeroportos,
usinas hidrelétricas e termelétricas
e linhas de transmissão de energia,
idealizados de forma integrada para
permitir a eliminação de gargalos
ao desenvolvimento nacional.
O
plano incorpora também um novo modelo
de gerenciamento na administração
pública federal, que tem nas parcerias
com o setor público e o setor privado
um de seus pilares mais importantes.
Como
o Estado não tem condições de financiar
todas as ações é fundamental a participação
da iniciativa privada, dos organismos
internacionais e de organizações não-governamentais.
As parcerias devem ocorrer não apenas
no financiamento das ações, mas também
pela incorporação de novas tecnologias
e métodos de gestão. Nesse contexto
é importante lembrar o papel dos organismos
internacionais na formação e promoção
dessas parcerias.
No
plano, todas as ações do governo estão
estruturadas na forma de programas
voltados para o atendimento das demandas
da sociedade. São 365 programas, com
metas e objetivos claramente definidos.
Para cada um deles foi designado um
gerente, responsável por custos, por
resultados e por uma avaliação permanente,
de forma a garantir que as metas sejam
efetivamente cumpridas.
Caberá
aos gerentes organizar ações em várias
áreas, mobilizar recursos dentro e
fora do governo federal, por meio
de parcerias, e superar obstáculos
para a consecução das metas definidas.
Para desempenhar bem essas tarefas
foram escolhidos servidores altamente
qualificados, com sólida experiência
profissional, grande conhecimento
técnico e gerencial, capacidade de
negociação e espírito de liderança.
Por
meio de um sistema de informações
estamos instrumentalizando a sociedade
brasileira para exercer o controle
social sobre as ações governamentais.
Haverá mais transparência, preocupação
constante do governo brasileiro. Com
essas informações o cidadão vai saber
onde e como estão sendo aplicados
os recursos que entrega ao governo
na forma de tributos.
O
nosso desafio hoje é fazer mais e
melhor com menos recursos, com amplo
conhecimento e controle por parte
da sociedade.
3.
Estudo dos Eixos
Para
identificar os projetos estruturantes
do desenvolvimento do País encomendamos
um estudo de grande porte a um consórcio
de empresas de consultoria, liderado
pela Booz-Allen & Hamilton, Bechtel
e ABN-Amro Bank.
O
estudo, contratado pelo Banco Nacional
de Desenvolvimento Econômico e Social
(BNDES) e pelo Ministério do Planejamento,
é um dos mais abrangentes já realizados
no Brasil. O Estudo consumiu, desde
sua concepção até a conclusão, 33
meses de trabalho, e envolveu diretamente
cerca de 200 profissionais, além de
um profundo e amplo diálogo com todos
os segmentos da sociedade brasileira.
O
estudo baseia-se no conceito de Eixos
Nacionais de Integração e Desenvolvimento.
Os Eixos são espaços do território
nacional definidos por sua vocação
econômica e por suas potencialidades,
onde investimentos em infra-estrutura
econômica e na área social aceleram
a integração e o desenvolvimento regional.
Com
base nos resultados desse Estudo,
estamos convencidos de que temos bons
projetos a apresentar.
São
empreendimentos que garantem ao capital
nacional e estrangeiro um retorno
compatível com os investimentos feitos
no País, em especial na área de infra-estrutura
econômica.
O
Estudo identificou nove Eixos que
cobrem todo o País. Em cada espaço
foi realizada uma análise exaustiva
das potencialidades e da demanda por
investimentos. Assim, foi possível
identificar e avaliar os projetos
necessários ao seu desenvolvimento
econômico e social. Os resultados
foram discutidos em cada um dos 27
Estados da Federação, com a participação
de empresários, de autoridades locais
e de técnicos de organizações não-governamentais.
Os
projetos foram agrupados de modo a
aproveitar a sinergia existente e,
como conseqüência, ampliar seus efeitos
sobre o desenvolvimento da região.
Além disso, os projetos foram integrados
segundo as dimensões econômica, social,
ambiental e de informação e conhecimento.
Essa integração é decorrente de um
dos princípios básicos do Estudo,
que é o de contribuir para o desenvolvimento
sustentável.
Os
resultados do Estudo dos Eixos estão
consolidados em um portfólio de investimentos
no valor de US$ 181 bilhões.
Na
área de infra-estrutura econômica,
os investimentos estão estimados em
US$ 106 bilhões, distribuídos em diferentes
setores. Eles foram identificados
para atender à demanda prevista para
período 2000-2007.
O
portfólio não se refere, evidentemente,
apenas ao setor público. Ele contém
excelentes oportunidades de investimento
para o setor privado, especialmente
nas áreas de energia, transportes
e telecomunicações. Espera-se que
mais de 50 % dos recursos sejam provenientes
do setor privado.
Todas
as oportunidades estão articuladas
a empreendimentos implantados ou em
fase avançada de implantação, no âmbito
do programa Brasil em Ação - seleção
de 42 projetos, que foram ou estão
sendo executados a partir da metodologia
de gerenciamento de programas. Trata-se
de uma experiência bem sucedida no
âmbito do Governo Federal.
Esses
empreendimentos estruturantes geram
outros oportunidades estruturais.
Essas, por sua vez, indicam novas
oportunidades, que denominamos oportunidades
associadas. Todos eles criam oportunidades
de negócios. O conjunto foi denominado:
Investimentos em Projetos Estruturantes.
Como
exemplo tomemos a geração de energia
elétrica no Rio Tocantins. Trata-se
de uma região em crescimento rápido,
com grande potencial de desenvolvimento
do agronegócio e da mineração.
Esta
região localiza-se entre os dois principais
sistemas elétricos brasileiros: o
Norte-Nordeste e o Sul-Sudeste-Centro-Oeste.
Nossas maiores usinas hidrelétricas
estão nessas duas regiões: Itaipu,
no Sudoeste, com capacidade de 12.600
MW; e Tucuruí, ao Norte, cuja capacidade
atual de 4.000 MW está sendo expandida
para 8.000 MW.
Todavia,
as chuvas caem em épocas diferentes
do ano nas diferentes regiões. Para
aumentar a eficiência geral, nós construímos
uma grande linha de transmissão -
de 1.200 Km e 500 KV - para ligar
esses dois sistemas.
A
nova linha Norte-Sul está em operação
desde março deste ano, contribuindo
para a melhoria do suprimento de energia
elétrica. Contudo, a linha Norte-Sul
tem outra importante função. O Rio
Tocantins tem duas grandes usinas
hidrelétrica em operação: Tucuruí
e Serra da Mesa. Outras duas estão
em construção e cinco outras foram
planejadas, inclusive num afluente
do Rio Araguaia. Assim, a linha Norte-Sul
e sua expansão terão a função de transmitir
toda essa energia gerada para os grandes
centros consumidores.
Parte
da energia gerada será usada no Eixo
Araguaia-Tocantins, onde a produção
agrícola está crescendo rapidamente.
A produção de soja aumentou 81% nos
últimos cinco anos, atingindo 2,5
milhões de toneladas. A região é também
propícia à produção de milho, algodão
e óleo de palma, bem como à pecuária.
É também uma região rica em minérios.
Carajás está produzindo mais de 40
milhões de toneladas/ano em minério
de ferro, a maior parte destinada
à exportação.
Para
lhes dar uma idéia de como essa região
está crescendo, a capital do Estado
do Tocantins, Palmas, foi fundada
há apenas 10 anos e já conta com 150
mil habitantes.
O
maior conjunto de oportunidades estruturais
é constituído pelas novas usinas hidrelétricas.
Ao todo, 4.800 MW estão sendo planejados,
o que representa um investimento total
estimado em US$ 4,9 bilhões.
Essas
usinas serão ofertadas individualmente
para concessões de longo prazo. Elas
também oferecerão importantes oportunidades
de negócios no campo da engenharia
e do suprimento de equipamentos, bem
como na estruturação de seu financiamento.
Entre
as oportunidades associadas gostaríamos
de destacar a Ferrovia Norte-Sul,
que ligará o Centro-Oeste do Brasil
aos portos no Atlântico, ao Norte.
Os primeiros 200 km estão próximos
da sua conclusão no âmbito do programa
Brasil em Ação. Prosseguiremos com
o restante do projeto - cerca de 1.500
Km - até Goiânia. O custo estimado
é de US$ 1,5 bilhão. O projeto está
sendo organizado como uma concessão
à empresa Valec, mas, considerado
o porte do empreendimento, há várias
outras oportunidades e formas de participação.
Agora,
vejamos as oportunidades de negócios.
Estimativas indicam que cerca de 2,9
milhões de hectares são apropriados
para a agricultura irrigada. Isso
acarreta excelentes oportunidades
para empresas detentoras de tecnologia
para produção irrigada, bem como para
a indústria de equipamentos. Várias
outras oportunidades estão presentes
no campo da logística.
Observem
o encadeamento das oportunidades,
que têm início num projeto do programa
Brasil em Ação e se multiplicam no
âmbito do novo plano Avança Brasil.
Outro
exemplo é o turismo. Todos conhecem
a importância do turismo no Rio de
Janeiro, na Amazônia e nas Cataratas
do Iguaçu, e, de fato, são locais
extraordinários. Contudo, o Brasil
oferece muito mais. Há, por exemplo,
o Pantanal, um ecossistema sem igual
no mundo, um paraíso para a observação
de pássaros e para a pesca. Mas, em
nosso exemplo, gostaríamos de nos
concentrar na região que agora está
recebendo bilhões de dólares em novos
investimentos no turismo. Estou me
referindo ao Nordeste do Brasil.
As
melhores praias estão situadas fora
das regiões urbanas. Esta é uma das
razões pelas quais estamos investindo
em rodovias e aeroportos. O Brasil
nasceu no Nordeste e, por isso, muitas
cidades têm belas construções coloniais.
Salvador, em particular, é onde as
raízes africanas podem ser sentidas,
pois estão preservadas até hoje na
música, nas artes e na dança.
No
setor de turismo o ponto de partida
é o Prodetur, financiado pelo Banco
Intermericano de Desenvolvimento,
que contempla um leque de investimentos
em rodovias, aeroportos, recuperação
de monumentos históricos, saneamento
e preservação ambiental.
As
oportunidades estruturais associadas
incluem a expansão da geração e transmissão
de energia, fibra ótica e recursos
hídricos, dentre outras.
Finalmente,
as oportunidades de negócios concentram-se
no turismo, tais como hotéis, resorts
e parques temáticos. Além disso, existem
oportunidades na área de saneamento.
Nos
últimos anos, o programa Brasil em
Ação dispendeu 133 milhões de dólares
para a melhoria de aeroportos na região,
mas a demanda continua crescendo.
Estamos alocando mais US$ 560 milhões
para melhorias futuras.
O
Nordeste tem atraído um número crescente
de turistas estrangeiros. A projeção
para 1999 é de três milhões, principalmente
dos Estados Unidos e da Europa. Levando
em conta as distâncias, necessitamos
de aeroportos para aviões charters
de grande porte.
Está
se iniciando no Brasil a prática de
concessões para terminais aeroportuários,
o que sinaliza futuras oportunidades
para o setor privado.
Observemos
agora uma oportunidade associada interessante:
recursos hídricos. A melhoria do suprimento
de água e do saneamento para as populações
locais caminha lado a lado com o aproveitamento
do potencial turístico.
O
governo federal está planejando investimentos
importantes na infra-estrutura de
recursos hídricos no Nordeste.
Finalmente,
neste exemplo, as oportunidades de
negócios. O Nordeste oferece um conjunto
amplo de oportunidades no setor turístico,
tais como hotéis e parques temáticos.
Cerca de US$ 6 bilhões de projetos
privados estão sendo implantados ou
foram anunciados. Mas isto, certamente,
é apenas o início.
O
Nordeste tem inúmeras praias, uma
cultura vibrante e amigável e sol
o ano todo. Além disso, o tempo de
vôo até a América do Norte e a Europa
é comparativamente menor em relação
a outras regiões do país. Estamos
investindo em capacitação profissional,
para assegurar padrões internacionais
de qualidade de serviços e, assim,
ampliar ainda mais a atratividade
aos investidores privados.
Agora
tomemos nosso último exemplo: o Gasoduto
Bolívia-Brasil, que iniciou sua operação
comercial da Bolívia até São Paulo
no início deste ano. Conforme a programação
do Brasil em Ação, atingirá Porto
Alegre em dezembro próximo.
A
grande oportunidade estrutural é,
obviamente, a construção das usinas
termelétricas. Estimamos que a demanda
de usinas térmicas na região situa-se
pouco acima de 6.200 MW até o ano
2003, mantendo o ritmo de crescimento
a partir desse período.
O
mapa mostra mais de 20 projetos que
foram anunciados pelas companhias
de eletricidade. São empreendimentos
concorrentes dentro do novo mercado
privado de energia no Brasil. E será
o mercado que dirá quais projetos
se concretizarão. Todavia, o Brasil
necessita de um incremento de 3.000
MW de capacidade instalada ao ano,
onde a termoeletricidade tem uma importância
crescente. Há, portanto, oportunidades
suficientes para novos parceiros nesse
mercado.
A
demanda de energia gera a necessidade
de novos gasodutos. Cerca de US$ 900
milhões em novos gasodutos da Bolívia
e da Argentina já foram anunciados,
mas certamente outras expansões serão
necessárias. A construção de gasodutos
e o transporte de gás natural constituem
um mercado aberto, requerendo a autorização
da Agência Nacional de Petróleo.
Mais
uma vez, as oportunidades de negócio
são expressivas.
Além
da geração de energia termelétrica,
o advento do uso do gás natural em
larga escala criará centenas de milhões
de dólares em projetos de conversão
industrial e de sistemas de distribuição
local. O uso do gás em frotas de veículos
urbanos para a redução da poluição
em grandes cidades é um importante
nicho de mercado que se abre.
Os
gasodutos também abrem milhares de
quilômetros de "faixa de passagem"
para a instalação de redes de fibra
ótica - como está acontecendo no gasoduto
Bolívia-Brasil - que podem se interligar
às linhas de transmissão, às rodovias
e às ferrovias.
Esses
são apenas três exemplos de um conjunto
muito mais amplo de oportunidades
de investimentos no Brasil. Não são
investimentos isolados. Fazem parte
de um conjunto que cobre todo o território
nacional e que reflete uma visão estratégica
de longo prazo, integrando o País,
gerando riqueza e reduzindo, ao longo
do tempo, as disparidades regionais
e sociais brasileiras.
Em
suma
Governo
procura assegurar a estabilidade
macroeconômica através de uma
política econômica consistente
e responsável
Governo
tem praticado uma política de
austeridade fiscal: quatro trimestres
de cumprimento das metas FMI
Governo
e Congresso estão unidos para
viabilizar o aprofundamento das
reformas: tributária, trabalhista,
judiciária, previdência/regulação
e a aprovação da LRF.
Governo
está promovendo alocação estratégica
dos recursos públicos orientando
os recursos para projetos estruturantes
do desenvolvimento
Governo
se preocupa com a melhoria da
gestão publica, adotando técnicas
de gerenciamento de programas
(testadas e aprovadas pelo setor
privado)
Governo
esta comprometido com a transparência
da gestão, como tem ocorrido na
área fiscal, vide apresentação
OGU/2000, ENID/PPA
Enfim,
o governo se esforça para oferecer
as condições econômicas de retomada
do desenvolvimento do País
Trata-se
de um País grande, com amplo mercado
interno e que oferece um ambiente
e instituições políticas estáveis
e democráticas
Essas
condições tornam o Brasil distinto
das demais economias emergentes,
representando uma excelente oportunidade
de investimento
Cumpre
lembrar que o crescimento do volume
de Investimentos Diretos Estrangeiros
(FDI) é uma demonstração da confiança
dos investidores no País. Somos
hoje o 5º do mundo em recepção
de investimentos diretos e o 2º
dentre os emergentes