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Discurso da Ministra Miriam Belchior na Reunião Anual do BID em Calgary/Canadá

publicado:  28/03/2011 11h00, última modificação:  02/06/2015 16h21

A ministra do Planejamento, Miriam Belchior, discursou hoje na 52º Reunião Anual da Assembléia de Governadores do Banco Interamericano de Desenvolvimento - BID.
Veja abaixo a íntegra do Discurso.

 

Discurso da Ministra do Planejamento, Orçamento e Gestão do Brasil - Miriam Belchior

É um grande prazer estar em Calgary, cuja beleza arquitetônica convive com uma grande riqueza comercial, financeira e natural.  

Gostaria de saudar as autoridades desta cidade, da província de Alberta, do governo do Canadá, assim como a Administração e a Diretoria do BID pela organização deste evento.

Quero antes de tudo expressar a solidariedade dos brasileiros com o povo e as autoridades japonesas. 

Após um século de imigração que formou no Brasil a maior comunidade japonesa fora do Japão e com milhares de brasileiros vivendo naquele País, queremos fazer dessa dor comum um motivo para nos sentirmos ainda mais próximos.

Senhor Presidente, o governo do ex-presidente Lula, primeiro trabalhador a governar o Brasil, nos deixou um enorme legado. 

Diminuímos as desigualdades sociais e regionais, retomamos o desenvolvimento em bases sustentáveis e com respeito às instituições democráticas. 

Isso fez de nosso país um dos mais dinâmicos mercados do mundo. 

Todo esse esforço permitiu ao Brasil superar, com êxito, a mais profunda crise econômica da história recente.

A Presidenta Dilma Rousseff, primeira mulher a governar nosso país, enfrentará um desafio igualmente importante.  Ela traz uma nova mensagem de superação: a da desigualdade de gênero. Hoje, cada pai e cada mãe pode olhar nos olhos de sua filha e dizer: SIM, VOCÊ PODE!

Prosseguiremos com as mudanças iniciadas no governo Lula, mas não nos acomodaremos com os resultados já alcançados, pois sabemos que é preciso aperfeiçoar nosso processo de crescimento e garantir um longo período de prosperidade para o nosso povo. 

Além disso, temos pela frente o compromisso de erradicar a extrema pobreza no Brasil e daremos os passos necessários para alcançar nosso lugar entre as nações com desenvolvimento pleno, forte democracia e ampla justiça social. 

Esta Assembléia se realiza num momento em que o mundo enfrenta grandes transformações políticas e renova suas exigências econômicas e sociais. 

Nossa Região tem hoje um novo perfil: cada vez mais, o rosto do povo está expresso na figura de seus governantes.  Está cada dia mais distante o tempo em que nossos governos se preocupavam apenas com desajustes macroeconômicos, negligenciando o crescimento sustentável e a inclusão social.

As maiores economias ocidentais, contudo, se recuperam da crise em ritmo mais lento que o necessário. 

Enfrentamos, hoje, uma inflação nos preços das commodities, em especial dos alimentos, que ameaçam a estabilidade dos países mais vulneráveis e das populações menos protegidas. 

As grandes instituições financeiras podem ter deixado os dias mais difíceis para trás, mas não contemplam nossas necessidades de longo prazo, além de terem se tornado ainda mais seletivas. 

Sr Presidente, colegas governadoras e governadores. 

Esse quadro não deixa margem a dúvidas. As condições vigentes nos mercados internacionais, assim como as demandas das economias latino-americanas e caribenhas, reafirmam a relevância das fontes multilaterais de crédito, e em especial, para nós, a do Banco Interamericano de Desenvolvimento. 

Cada vez que olhamos para nós mesmos ou para nossos vizinhos não podemos deixar de constatar  que muito mais poderia ser feito em nossa Região se o BID dispusesse de mais recursos. 

Quantos programas a mais na área de mudanças climáticas e energia renováveis não poderiam ser feitos?

Quantos projetos de combate à pobreza e às desigualdades, obras de infra-estrutura e de integração regional poderiam ser realizadas?  
Quantas oportunidades efetivas de desenvolvimento estão sendo perdidas, não por ausência de demanda ou de vontade política, mas sim por insuficiência de recursos.

As estimativas realizadas pela Administração do Banco, antes do Acordo de Aumento de Capital, apenas confirmaram o que as autoridades da região já percebiam: as dimensões atuais do BID ficaram pequenas para as exigências atuais de nossa região. 

Por isso, o aumento de capital aprovado, que já era menor do que o necessário, não deve ser protelado por mais tempo, sob pena de – involuntariamente – comprometer a relevância da instituição.

Ao olhar para o passado recente, vemos com grande satisfação o avanço que o Banco tem alcançado com o “realinhamento. 

A estrutura matricial com ênfase nas atividades-fim, o reforço do foco-país que aponta para a plena adoção dos sistemas nacionais.  A consolidação das representações nos países como parte de uma descentralização progressiva do processo decisório. Tudo isso marca uma nova época para o BID, cuja consolidação é fundamental.  

No entanto, devemos evitar que o novo aparato de salvaguardas, tão importante para aperfeiçoar a agenda do Banco, acabe dificultando seu funcionamento como instituição financeira e de conhecimento.  

O Modelo de Gestão de Renda proposto também constitui um avanço institucional. Mas para que a geração de renda do BID seja sustentável, a parcela dos resultados que se espera destinar ao reforço de capital deve ser definida antes das parcelas destinadas a sua distribuição.

Assim, por sua vez, a nova Política de Adequação de Capital deverá permitir ao Banco ampliar seus empréstimos com o capital existente, inclusive para o setor privado.

Para encerrar, gostaria de me declarar otimista, apesar da dívida social em nossa Região ainda ser enorme, apesar dos desastres naturais, apesar das dificuldades que encontramos para fortalecer o BID como um instrumento relevante diante desse cenário. 

Acredito que quanto mais a América Latina e o Caribe forem ouvidos nos fóruns mundiais, maior a possibilidade de soluções duradouras para todos.

Muito obrigada.