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Brasil apresenta política de software livre no Panamá

publicado:  08/08/2006 09h00, última modificação:  02/06/2015 19h21

Brasília, 8/8/2006 - O secretário de Logística e Tecnologia da Informação (SLTI) do Ministério do Planejamento, Rogério Santana, vai falar sobre os avanços da política de Software Livre no Governo Federal, no Panamá. Ele será um dos painelistas do Segundo Congreso Nacional de Ingenieria, Ciencias y Tecnologia: Hacia una Economia del Conocimiento con Responsabilidad Social, no dia 9 de agosto, na Cidade do Panamá.

Santanna destacará no congresso iniciativas desenvolvidas pelo governo como o Configurador Automático de Coletor de Informações Computacionais (Cacic). O Cacic é um software livre desenvolvido pela Empresa de Tecnologia e Informações da Previdência Social (Dataprev) e disponibilizado à sociedade pela SLTI que possibilita o levantamento de diversas informações sobre o hardware e o software das estações de trabalho.

"A solução se sustenta, sobretudo, não apenas por ser uma licença de software livre adequada, mas também pela criação de uma comunidade que zela para o seu desenvolvimento, compartilhando saberes e soluções", afirmou Santanna.

O Cacic tem atualmente uma comunidade com cerca de seis mil cadastrados, está em produção em 110 instituições, a maioria públicas, e é utilizada também por outros países como Equador, Argentina e Paraguai.

Outra iniciativa considerada bem-sucedida pelo secretário é o Guia de Migração para Software Livre, desenvolvido pelo Governo Federal para contribuir com o processo de migração dos diferentes órgãos dos governos federal, estaduais e municipais, empresas e terceiro setor, entre outros.

O Guia Livre é usado como referência pelos governos do estado de São Paulo, Paraná e Rio de Janeiro. Segundo ele, esse é o primeiro documento no mundo com essas características desenvolvimento por um governo.

O secretário Santanna também falará sobre a experiência do Ministério do Planejamento no desenvolvimento de arquiteturas que utilizam software livre e plataformas abertas para o processamento de milhares de informações.

Ele cita o caso de hardwares comoditizados baseados em computação em grades (grids) e clusters. "Essa tecnologia nasceu nos grandes centros de tecnologia do mundo e aqui no Brasil estamos compartilhando essa experiência com a comunidade de software livre e com outros órgãos de governo", disse.

O grid é uma arquitetura de computação distribuída para o compartilhamento de recursos que possibilita aproveitar capacidades ociosas e cluster é um sistema que compreende dois ou mais computadores ou sistemas que trabalham em conjunto para executar aplicações ou realizar outras tarefas.

O desenvolvimento dessa infra-estrutura de computação de alto desempenho está possibilitando, por exemplo, o desenvolvimento de um projeto que envolve a limpeza de cadastros sociais do governo.

Conforme Santanna, o software livre é uma opção estratégica do governo federal por reduzir custos, ampliar a concorrência, gerar empregos e desenvolver o conhecimento e a inteligência do Brasil nessa área. "A adoção desse tipo de plataforma significa autonomia porque o código é aberto e não está atrelado a nenhum fornecedor e o tempo de vida útil de uma solução livre é muito maior que uma proprietária", frisou.

Na opinião do secretário, uma das grandes vantagens do software livre é a diminuição da dependência de fornecedores oligopolistas e proprietários, o que possibilita a médio e longo prazo a redução de gastos na aquisição de licenças de software. Segundo Santanna, o Brasil tem uma posição de destaque no desenvolvimento de políticas de software livre no contexto da América Latina.