Você está aqui: Página Inicial > imprensa > Comunicados à Imprensa > Ombudsman mostra dimensão de erro cometido pela Folha de S. Paulo

Ombudsman mostra dimensão de erro cometido pela Folha de S. Paulo

publicado:  26/11/2012 17h32, última modificação:  27/08/2015 12h42

Brasília, 26/11/2012 - Na terça-feira passada (20) o jornal Folha de S. Paulo modificou uma declaração da ministra do Planejamento, Miriam Belchior, feita durante o 5º Balanço do PAC. Diferentemente do que o jornal afirmou, a ministra disse que o atraso em obras é “da regra do jogo, ao relatar um diálogo com um empreendedor privado, e não que “é regra do jogo, como publicado.

A Assessoria de Comunicação do ministério do Planejamento se pronunciou, enviando carta ao jornal, que foi publicada dois dias depois, seguida de um comentário da redação.

No domingo passado (25), a Ombudsman da Folha de S. Paulo, Suzana Singer, voltou ao tema, mostrando a dimensão do equívoco, com o título: "Jura dizer a verdade, só a verdade, nada mais que a verdade?". O texto da Ombudsman, sobre o caso é o seguinte:

Duas vezes, na curta semana do feriado, a Folha colocou indevidamente palavras na boca de personagens do noticiário. Os erros, graves, estavam na capa do jornal (...).

(...) O segundo erro, na mesma linha, foi a manchete de terça-feira: "Atraso em obras é ‘regra do jogo‘, diz ministra do PAC".

A frase foi pinçada de uma fala de Miriam Belchior em entrevista coletiva. Questionada sobre o cronograma das obras, disse: "Atraso é da regra do jogo (...) o tamanho dele tem que se verificar proporcionalmente ao período previsto".

O jornal fez um link entre a frase dela e a do ministro da Justiça, José Eduardo Cardozo, alguns dias antes, sobre preferir morrer a passar anos em uma cadeia no Brasil. Onde a Folha viu um surto de "sincericídio" na Esplanada dos Ministérios, havia apenas uma declaração banal da titular do Planejamento.

Belchior não disse que atraso é "a" regra do jogo, mas que é "da" regra do jogo -acontece, mas não é inevitável. A aspa correta estava no texto da reportagem, mas ganhou um "upgrade" no título do caderno "Mercado" e na manchete.

Desta vez, o jornal publicou uma correção, mas contrariado. Em resposta à carta do Ministério do Planejamento, classificou o erro de "detalhe irrelevante".

Outro erro. "Não é preciosismo a alteração de ‘a‘ para ‘da‘. Se a ministra disse ‘isso é da regra do jogo‘, significa que é comum, constante. É como dizer ‘faz parte‘. Já ‘isso é a regra do jogo‘ equivale a dizer que essa é a única forma de se trabalhar", explica Sirio Possenti, 65, professor de linguística da Unicamp.

A Folha entendeu mal uma declaração e fez um carnaval em torno do nada. Depois da manchete, saíram um editorial ("A regra do atraso"), uma coluna Brasília ("No vermelho") e uma charge na página 2 descendo a lenha na ministra.

Boa parte do jornalismo consiste em fazer as pessoas dizerem o que elas preferiam manter para si. Arrancar segredos, inconfidências e afirmações polêmicas é um dos desafios de um bom repórter. Mas isso não implica carta-branca para interpretar o que alguém "quis dizer". Se a meta do jornalismo não for a exatidão, passaremos ao reino do vale-tudo".