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Em seminário da SOF Marina Silva defende união de paises ricos pelo planeta

publicado:  20/04/2015 14h21, última modificação:  20/04/2015 14h21

Brasília, 7/5/2008 – A ministra do Meio Ambiente, Marina Silva, disse no Seminário da SOF, que desenvolvimento sustentável é a forma correta de lidar com as conseqüências das mudanças climáticas que já atingem o planeta. Porém esse esforço será vão sem uma ampla cooperação de países ricos e em desenvolvimento.

“Não há como resolver um problema dessa magnitude sem um forte envolvimento de todos. Precisamos de recursos, de decisões políticas e de uma dimensão ética para fecharmos essa equação que é multilateral”, disse a ministra para os representantes dos países participantes do evento.

Marina Silva lembrou iniciativas tomadas na ECO 92, como as convenções da biodiversidade, do clima, e da desertificação, e elogiou o que chamou de “grande quantidade de acordos multilaterais com propostas relevantes e aporte de conhecimento técnico-científico”, porém criticou a baixa implementação desses acordos.

 “Se já estamos vivendo sob os efeitos do aquecimento global que nos trará conseqüências dramáticas, sobretudo para as regiões e populações mais fragilizadas do planeta, é fundamental que passemos das palavras para os exemplos concretos”, cobrou a ministra. Ela observou que preservar a possibilidade da vida na terra pensando também nas gerações futuras significa pensar em modelos de desenvolvimento que possam ser universalizados.

Marina acrescentou, porém, que mudar modelos de desenvolvimento não é fácil.  A título de exemplo, lembrou que países desenvolvidos têm cerca de 13% de sua matriz energética limpa. Já o Brasil, por ter investido na produção de etanol, ter um programa de incentivo ao uso de biocombustíveis, possui uma matriz energética limpa em 45%. “Para que isso aconteça é preciso uma forte mobilização de diversos setores da sociedade, não somente de governos”, afirmou.

Outro exemplo da contribuição brasileira no combate a problemas ambientais citado pela ministra diz respeito à redução da emissão de CO2 oriunda do desmatamento, especialmente na Amazônia. A ministra do Meio Ambiente disse que nos últimos cinco anos foi possível deter o desmatamento em 59%. “Isso significou uma redução de 550 milhões de toneladas de CO2 nos últimos três anos”, explicou ela, acrescentando que esse resultado representa 14% de tudo o que teria que ser reduzido pelos países desenvolvidos até 2012.

Marina Silva também comentou que na questão do zoneamento agrícola, a decisão do governo brasileiro é de que não haverá produção de cana-de-açúcar na Amazônia. “Nós queremos que os biocombustíveis no Brasil de fato sejam uma contribuição sem que se comprometa a segurança alimentar e a questão ambiental”, enfatizou.

O conferencista argentino Osvaldo Canziani, do Painel Intergovernamental de Mudanças Climáticas (IPCC) disse, por sua vez, que o enfrentamento dos problemas inerentes às mudanças climáticas é fundamental nesse momento. “Há um frágil vínculo entre a vida do planeta e o futuro”, comentou ele, avisando que se não começarmos a agir agora teremos uma catástrofe. Acrescentou que a forma de luta é o trabalho solidário e o cumprimento do Protocolo de Kyoto.

Canziani afirmou que a América Latina cumpre parte ínfima das suas obrigações e há necessidade de uma nova engenharia para resolver problemas. “Na América Latina os únicos mobilizados em não perder recursos naturais são a Argentina, o Brasil e o Peru”, destacou ele.

O palestrante, que relatou diversos estudos do IPCC, disse que tudo deve ser pensado e planejado, visando o desenvolvimento sustentável.  “Chegará o dia em que a América Latina terá que recepcionar imigrantes do tipo ambiental. Precisamos ter conhecimento dos recursos que temos, em termos de alimentação, por exemplo, e infelizmente não sabemos”.
Um dos aspectos que não poderá ser descuidado, segundo ele, tem relação com o aumento da população mundial. “Se algo ocorrer nesse sentido será necessário uma outra terra para que todos possam viver em condições favoráveis”, projetou o cientista.

Osvaldo Canziani lembrou também a questão da água. Disse que na Argentina mais de 70 milhões de pessoas poderão ficar sem água se a temperatura continuar aumentando. Acrescentou que em seu país, em razão das erosões já existe diminuição na captação de água doce. Estendendo previsões sombrias, o palestrante argentino disse que sem o uso racional da água em 2050 mais de três bilhões de pessoas serão atingidas pela escassez.

Para conter os danos causados pelo clima, Canziani aposta nos estudos que estão sendo feitos que vão desde o deslocamento de cultivos para salvar alimentos à criação de moradias inteligentes do ponto de vista ambiental.