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Aumento do salário-mínimo tem que ser combinado com outras medidas, diz Bernardo

publicado:  20/04/2015 11h21, última modificação:  20/04/2015 11h21

Brasília, 1/12/2005 - O ministro do Planejamento, Paulo Bernardo, disse em entrevista para emissoras de rádio que o reajuste do salário-mínimo não pode ser isolado de outras medidas para aumento da renda. Segundo Bernardo, se houver reajustes combinados com inflação alta, “o trabalhador perde”. Destacou que é preciso “combater firmemente” a inflação que é, segundo ele, um “processo de transferência de renda dos mais pobres para os mais ricos” que sabem como se proteger da inflação.

Então, destacou Bernardo, é necessário ter reajuste, combater a inflação e ter políticas que garantam o consumo das classes mais pobres como a desoneração da cesta básica ou de itens da construção civil. Segundo Bernardo, em 2003, com o salário mínimo de R$ 200,00, o preço da cesta básica de acordo com o DIEESE era de R$ 167,00, ou seja, com um salário mínimo comprava-se quase uma cesta e meia; hoje o salário-mínimo de R$ 300,00, combinado com medidas do governo de desoneração da cesta básica e o incentivo à agricultura familiar, o valor da cesta recuou para R$ 147,00. Assim, destacou, hoje o salário-mínimo “compra duas cestas básicas, o que significa que aumentou o seu poder de compra”.

O ministro do Planejamento garantiu que o valor do salário-mínimo para 2006 ainda não está decidido, mas afirmou que o Presidente Lula quer que seja dado o “maior aumento possível levando em conta o equilíbrio das contas públicas e a previdência social”. Segundo Bernardo, em reunião ocorrida na terça-feira, 29.11, no Ministério do Trabalho, as centrais sindicais reivindicam o valor de R$ 400,00.

Entretanto, esclareceu, entre o valor de R$ 400,00 e o que está posto na Lei de Diretrizes Orçamentárias (R$ 321,00) enviada ao Congresso, são mais R$ 12 bilhões que terão que ser colocados na previdência. Assim, segundo Bernardo, a tendência é se chegar a uma solução intermediária, aliada a outras medidas de barateamento do custo de vida como tirar novos tributos da cesta básica ou da construção civil como cimento, brita, areia, que irão beneficiar principalmente a população de renda mais baixa.

CRISE POLÍTICA E PROCESSO ELEITORAL

Perguntado se a crise política vem afetando a economia, o ministro afirmou que acredita que sim, pois se desenrola há mais de 5 meses. Entretanto acha que a crise mudou de patamar e as incertezas hoje são menores e isso se deve em grande parte à postura firme do Presidente que não permitiu que “nenhuma decisão econômica fosse tomada influenciada pela crise”. Acrescentou que o governo não “vai fazer liberação de recursos para resolver a crise política que será tratada dentro da política”.

Entretanto, disse acreditar que o país terá um processo eleitoral muito radicalizado por conta da crise e da continuidade do debate político, mas acrescentou que isso é natural e o Brasil tem amadurecimento democrático para enfrentar esse debate.