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Economia brasileira mostra indício de crescimento sustentável

publicado:  10/11/2004 12h25, última modificação:  09/07/2015 15h58

Brasília, 10/11/2004 - Na abertura do I Seminário Internacional "Governo/Empresas Estatais: um diálogo necessário", o professor Antônio Barros de Castro, assessor especial do ministro do Planejamento, Guido Mantega, disse que a economia brasileira mostra sinais de que está entrando num período de crescimento sustentável. "Houve uma quebra de tendência na década de 80 e está havendo outra neste momento", afirmou.

Segundo Castro, o Ministério do Planejamento vem promovendo uma série de reuniões dentro e fora do governo para debater as tendências da economia brasileira e a maneira de superar os soluços de crescimento seguidos por períodos de estagnação que vêm caracterizando a economia brasileira nas três últimas décadas.

Barros de Castro destacou que neste cenário é complexo fazer projeções. Segundo ele, nos últimos 23 anos - de 81 a 2003 vivemos uma estranha combinação de estagnação nos grandes resultados e extensa mudança. "É uma impressionante sucessão de arrancadas e tombos, ou seja, de ciclos que nascem com grande vigor e morrem espetacularmente, como se a economia brasileira batesse numa muralha" ressaltou.

Citou como exemplo o período de 84 a 86 quando o país cresceu a 7% ao ano como se tivesse recuperado o ritmo antigo e depois pelo início de 87 "este crescimento rui como um castelo de cartas, não fica nada e a economia está na borda do precipício hiperinflacionário".

Outro período citado por Barros de Castro de grande recuperação da economia foi no lançamento do Plano Real quando há uma recuperação de grande vigor e que parece recolocar a economia numa rota sustentável de crescimento. Segundo o professor, foi outro equívoco e o país teve que se adaptar a esta nova perda de dinamismo.

Citou ainda o fator que diferencia a economia brasileira: quando houve a desvalorização do real em 1999, ao contrário de todas as previsões, o país não retoma o ritmo inflacionário como volta a crescer e permanece por 22 meses, ciclo depois interrompido pela vulnerabilidade externa. Quando ocorre o aborto neste novo ciclo de crescimento e o país entra em recessão, difunde-se, segundo Barros de Castro, uma percepção extremamente negativa do funcionamento da economia brasileira. Isto porque, esclarece, o país havia modificado profundamente o regime de políticas macroeconômicas, no plano fiscal, monetário e cambial. "Coisa que a Argentina nunca conseguiu" , destacou.

Entretanto, segundo ele, uma característica da economia brasileira que emerge em momentos de grande estresse que não é levada em consideração nas análises da economia: a mudança nos padrões comportamentais. Sob o estresse de mais um ciclo de fraco crescimento em 2001, as empresas industriais brasileiras introduzem rapidamente as exportações nas suas estratégias.

Para Barros de Castro, esta é uma diferença fundamental com outros países. Além disso, destacou, no Brasil, as empresas que se voltaram para a exportação são as mesmas já existentes, diferente por exemplo do Chile, onde foi criado novo tecido industrial voltado para a exportação. Assim, houve um salto em 2002, 2003 e 2004.

Para Castro esta mudança estratégica foi muito importante porque bate no nervo da questão, já que em última análise, o pessimismo tinha por grande fundamento a vulnerabilidade externa. Segundo ele, o Brasil chegou a ter uma relação dívida sobre exportações maior que cinco o que, afirmou, "pior não pode ser".

Hoje, garante, esta relação dívida/exportações está despencando. Está em 2, indo para 1,5. É uma mudança qualitativa, não é uma adaptação, não é um ajuste, é uma transformação qualitativa. Isto dá outra condição à economia brasileira.

Falou ainda das mudanças na relação Estado/setor privado que passou de um período em que tudo era puro mercado, no primeiro mandato do governo Fernando Henrique Cardoso, para uma nova perspectiva de que o Estado deve atuar em algumas áreas. Destacou a Reforma do Estado de 1998 e algumas áreas de excelência alcançadas pelo Estado brasileiro como o Governo Eletrônico e a Infraero, segundo ele exemplos flagrantes de um rejuvenescimento do setor público. Segundo Barros de Castro, o debate hoje não é mais sobre quando virá a próxima inflexão e sim quanto pode crescer a economia. A este respeito, afirmou, está começando uma importante troca de idéias entre diferentes percepções. Destacou a posição "modesta" do Banco Central de que seria entre 3 e 3,5% e afirmou que o governo está debatendo os números e os cálculos das taxas, numa discussão aberta com a sociedade.

O secretário executivo adjunto do Ministério do Planejamento, Élvio Lima Gaspar, disse que o Encontro reflete parte do esforço importante no qual se busca aproximar as empresas estatais que são um importante vetor da realização das políticas de Estado e de governo junto com as políticas de governo especificamente. Essa aproximação começou no ano passado com a realização de uma ´serie de seminários na área de educação e na elaboração do PPA. Buscamos construir com as 109 empresas estatais orientar a realização dos próprio ppas das empresas. Existe ainda um caminho a percorrer e este seminário se insere neste esforço de realização.